Débuter

Nenhum garçom para empilhar as cadeiras e trazer um guardanapo, apenas eu e a luz azulada da tela me pedindo que escreva, por favor escreva mas não que fale.

Como conversava ontem com Analu, é bem provável que todos nós tenhamos capacidade de fazer coisas incríveis de todas as modalidades, mas já nos incutiram uma mentalidade de que “não conseguimos”, assim como deve ser bem provável que aos mais subjetivos está reservada a facilidade com imagens e aos práticos com as palavras. Os poetas devem ficar no meio do caminho.

Diante do exercício da auto-crítica, percebi que tenho dificuldade com as duas partes, mas são relacionamentos conflituosos e quentes, que resultam sempre em uma longa noite de amor após uma briga. Desisti de esperar até escrever como Machado de Assis pra ter um blog, já faz dois anos e a saudade insistia pra voltar. Apesar disso, aprendi muito com o desapego desde 2012, venho sem arquivos e velharia, o que também me faz chegar aqui sem arrependimentos. Tal e qual um novo romance.

O amadurecimento nesse hiato me fez desistir da prisão do “nome de blog simples” e mandar o SEO catar coquinho. Tentando colocar a única lição retirada das canções de rock nacional que bombavam nos meus 12 anos em prática: o importante é ser você (os anos 00 não foram muito engajados). Bem na verdade, a missão falhou na originalidade, qualquer um que tenha assistido The Dreamers com atenção (ou verificado frases que se atribuem a Mao Tsé-Tung) perceberá. Em algum momento atualizarei a página de descrição e explicarei a relação com a frase, acho que saber sobre o que se trata é necessário para você decidir se quer me ler.

Cheguei aqui de madrugada, da forma mais sincera e bruta. Não há garçons para servir, não há nenhuma boa garrafa de vinho para oferecer. É um debute, mas não é um baile. Assim como uma revolução, um espaço como esse não pode ser comedido e refinado. A sua criação não é linear, obedece a uma necessidade e assim como todas as necessidades primárias não precisa de um papel bonito forrado sobre a mesa para ser satisfeita (ou: me desculpe chegar assim, sem arrumar a “casa”).

Acredito que o diletantismo tem seu lugar na Hierarquia das Necessidades de Maslow, mesmo não sendo das necessidades mais nobres. Se não, acho que registrar a “imagem” do tempo, ou tentar descreve-lo se relaciona tão intimamente com a evolução humana que já o fazia-se em Altamira.

PS: o primeiro parágrafo faz referência a esse texto.
PS²: depois de tanto ouvir sobre o profissionalismo do WordPress, vim. Mas não se espante se esse blog mudar para um modelo branco do Blogspot a qualquer momento, um clássico. Nada aqui é fixo.

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3 comentários sobre “Débuter

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