Moda no Metrô

fashion week metrô
Texto publicado orginalmente aqui, em novembro de 2013.

A edição de 2013 do SPFW teve como um de seus sucessos de público a experiência do desfile no metrô. Esse evento não foi apenas uma parte da semana de moda, mas também parte da X Bienal de Arquitetura de São Paulo, cujo mote “Cidade: modos de fazer, modos de usar” leva o público a questionar os usos dos espaços da cidade.

A SPFW se caracteriza como um evento isolado do cotidiano paulista, ocorrendo no Prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera, ou em locações também distantes (levando-se em conta as pessoas que não saem de casa propriamente para acompanhar o evento), como o prédio da Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP, que também foi palco da 37° Mostra Internacional de Cinema, oferecendo sessões gratuitas. A Bienal de Arquitetura, por sua vez, ocorre esse ano em ambientes que tem acesso ao metrô, para incentivar a visita de quem utiliza o mais urbano dos transportes. Note que a distância a qual me refiro nas primeiras linhas desse parágrafo é muito menos física do que pode parecer. O acontecimento entrelaçado desses eventos, ocupando a cidade ou chamando os cidadãos a ocupar seus espaços privados (como no caso da FAAP na Mostra) pode ser um reflexo dos pedidos, cada vez mais urgentes, da cidade para o cidadão?

São Paulo é uma cidade de extremos e de segregação. Eventos de moda, arte, arquitetura e cinema são eventos para a classe média, ainda que boa parte deles sejam gratuitos e as vezes ocorram em lugares que fazem parte do caminho da população em geral – como tentam a Bienal de Arquitetura (CCSP, Metrô Paraíso, etc) e a Mostra Internacional de Cinema (Vão do Masp).

Eventos como um desfile no metrô merecem ser pensados além do deslumbre, longe do embaralhamento que o brilho nos causa podemos perceber as causas e necessidades por trás da ideia. Em tempos em que alguns são forçados a “desocupar a cidade”, um desfile de moda pode ser visto apenas como futilidade, ou pode ser visto como reflexo de acontecimentos maiores – afinal, a moda sempre se julga reflexo da sociedade, não é mesmo?

PS: (março de 2014) Na época não me lembrei, mas a “moda” não está tão longe assim do metrô, algumas estações possuem lojas e tem a moda presente o ano todo, mesmo assim, ainda atrelemos o termo apenas ao que é “fino”, aquilo que contém a tal da “informação de moda” – ideia bastante abstrata e confusa pra mim, aparentemente escolher o melhor tecido para uma peça que não pode ultrapassar os 30 reais na maioria das vezes não é informação.

Foto: Marília Sestari 

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Um comentário sobre “Moda no Metrô

  1. concordo com aquela velha história de vc se expressar através das roupas, ok, mas até um determinado ponto. o que eu acho mais chato e feio é as pessoas acharem que vivem numa realidade diferente do que realmente existe, tipo gente achando que são paulo é nova york. rs

    adorei isso: “Em tempos em que alguns são forçados a “desocupar a cidade”, um desfile de moda pode ser visto apenas como futilidade, ou pode ser visto como reflexo de acontecimentos maiores – afinal, a moda sempre se julga reflexo da sociedade, não é mesmo?”

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