post-it e agenda de espiral

Uma das poucas coisas que ficou dos meus muitos anos escolares (somam-se os anos de ensino obrigatório, os técnicos e os – mais do que gostaria  – anos de pré-vestibular) foi a memória de uma professora que não causava muita simpatia em mim ou na grande maioria da sala, pelo que me lembro. Por trás das muitas camadas de maquiagem se escondia uma mulher de 20 e poucos anos, fã de Nelson Rodrigues e pelo que as línguas diziam, de sertanejo universitário e álcool também – simpatizei mais com ela depois de saber dos porres, existe empatia na auto-destruição.

Foi em uma das suas muitas leituras do ídolo-autor, que ela comentava com uma das meninas que sentavam na primeira fileira (como toda classe deve ter) como que deveríamos ler, mostrava à ela sua coleção de post-its e adesivos marca-páginas pelo livro. Me lembro muito bem disso porque de todas as as suas lições, essa foi a única que aprendi.

Lembro-me dela cada vez que abro minha agenda preta de espiral sobre o colo e tento, mesmo quando tenho que lidar com minha inércia ao movimento do trem, escrever o que estou pensando sobre o livro que estou lendo. Insira aqui qualquer livro. Passei aos caderninhos porque os post-its se tornaram escassos e caros – quem diria que o simples aumentar de cores da cartela de opções desses papeizinhos faria girar tanto o motor do capital? Escrever epifanias pobres ou detalhes da compreensão de um texto se tornou um hábito, confesso que raramente volto nessas anotações, por preguiça, mas uma dia sinto que serão úteis – como aqueles papéis de presente que guardamos do natal.

(Inicialmente esse seria um post sobre o livro A Insustentável Leveza do Ser, não sabia por onde começar e agora não sei por onde terminar. Fica a lembrança para não dizer que desisti desse blog.)

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2 comentários sobre “post-it e agenda de espiral

  1. Nunca tive nenhum hábito desses de leitura sabe?! Lembro que um dia fui taggeada para um meme justamente sobre isso, aí não fiz porque não tinha nenhum hábito hahaha. Eu só leio. Se eu sinto alguma mudança dentro de mim, leio de novo, mas, nunca grifei ou marquei ou escrevi…. sei lá, sou esquisita :p

    Gostei e concordo com essa frase “existe empatia na auto-destruição”.

    :*

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