eterno retorno

O meu primeiro blog foi um .zip da época que todo mundo que não tinha uma assinatura de e-mail Uol usava o Bol para criar uma conta no Orkut. Não faz tanto tempo quanto a sua memória pode fazer parecer, é sério. Naquela época ter um blog não era popular, mas também não era um motivo de cautela como é hoje. A internet se tornou, pouco a pouco, a substituta da janela indiscreta, assim, o que você faz e diz no meio digital já não é mais separado da vida real – uma pena talvez para os adolescentes, que não vão poder usar esse meio pra suas declarações emotivas daqui a alguns anos. Mas sempre é possível voltar aos diários físicos.

Escrever é uma necessidade, mas o papel nos encara com uma tez séria. Fica difícil fazer qualquer movimento quando alguém te encara assim. A internet vem leve, vem te dizendo que é sempre possível revogar o publicado, dar privacidade aquilo que ninguém deveria ler. O que inevitavelmente me lembra esse trecho de “A Insustentável Leveza do Ser”, que me perdoem se há algum leitor nesse blog, mas tão inevitável quanto essa comparação será o uso desse mesmo livro repetidas vezes por aqui, enfim:

“O mais pesado dos fardos nos esmaga, verga-nos, comprime-nos contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o fardo do corpo masculino. O mais pesado dos fardos é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da realização vital mais intensa. Quanto mais pesado é o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais real e verdadeira ela é.

Em compensação, a ausência total de fardo leva o ser humano a se tornar mais leve do que o ar, leva-o a voar, a se distanciar da terra, do ser terrestre, a se tornar semi-real, e leva seus movimentos a ser tão livres como insignificantes.

O que escolher, então? O peso ou a leveza?”

Eu escolhi mudar de tema, embora não goste tanto de laranja quanto gostaria de links azuis e cinza que custam mais de 30 doláres, e postergar essa discussão – depois de discutir mentalmente entre wordpress e blogspot por mais de uma semana (o motivo: o layout que a Cristal usa no umanosemlixo).

Em seu livro Milan Kundera também cita em um capítulo a teoria nieztchiniana do eterno retorno, que, num resumo muito pouco crítico, questiona a ordem da vida nos perguntando como ela seria se a história se repetisse eternamente, a vida é preciso de muita analise para pensar, mas sabemos por hora como são os blogs se nossas histórias com eles se repetirem eternamente.

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