fratura exposta

tem aquela série que a dani organiza no don’t touch my moleskine e que acompanho há muito tempo, a série fratura exposta. eu acho a sacada da dani genial, porque o que mais doí não é a fratura, é a exposição. o que mais dói são os olhares, são as perguntas, o que mais dói é perder aquela camada de proteção que garante que algo é só seu e que no momento em que você mais precisa, por algum motivo é sempre nesse momento, se perde. e deixa tudo aberto, a mostra, exposto. pra quem quiser ver. e não adianta tentar esconder: ela tem até mesmo um cheiro especial, só dela. aí você se acostuma e entra na roda. a partir daí você deixa qualquer um chegar e desenhar no seu gesso, a cicatriz é sempre um troféu. e é por isso que eu acho a sacada da dani genial.

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05 de outubro de 2014

força-jovem Nessa época visual em que estamos, acho que a melhor forma de lembrar datas importantes é mesmo com imagens. Essa foto eu tirei com o celular no dia 05, uma hora antes de saber que o Alckmin foi reeleito. É um dia importante para lembrar – e não repetir.

Meninos jogando futebol, Campo Força Jovem, Caieiras.

Foto feita com um LG L5 e processada com VSCO CAM. (Retirada do meu instagram, porque a vida corre.)

one day, lone scherfig 2011

Desconfio que não via um filme de romance só por distração no mínimo desde que a escola se tornou integral e eu, com uns 16 anos, substituí a sessão da tarde por aulas como “ética e cidadania” – confesso que ambas me curavam a insônia. Hoje resolvi assistir “Um Dia”. Já sabia de antemão que seria só um “filme bobinho pra passar a tarde” mas não há quem resista a Anne Hathaway de pixie cut.

O filme é  carregado de clichês, mas faz bem o papel de ser um filme bonitinho – e só, além de render umas lágrimas se você está sentimental. Porém, guardo um desabafo: porque Emma morre? Senti que Emma morreu só pra atender à indústria cinematográfica que não faz filmes com mais de duas horas. E não venham me dizer o Dexter precisava disso pra crescer, depois de se recuperar de um vício em cocaína e em álcool, perder a mãe pro câncer, ver sua suposta carreira afundar, se casar por dinheiro e ser traído com o antigo melhor amigo de faculdade, o qual te colocou pra trabalhar na cozinha do restaurante apesar de vocês terem a mesma formação, se depois de tudo a pessoa não é capaz de perceber que não tem mais 22 anos, não vale a pena sacrificar nenhuma vida por isso.

♫ M.I.A. – sexodus

migração pendular

Faltam 3 meses para terminar o ano, que passa mais rápido do que eu, que passo de trem pelo noroeste metropolitano paulista.

Tem um texto da Marina Colasanti que fala sobre o quanto nós nos acostumamos, mas não deveríamos, em uma frase ela diz que nos acostumamos para “poupar a vida, que as poucos se gasta e se gasta acostumada, se perde de si mesmo”: em todo o retorno de férias volto desacostumada, em poucas semanas, 8 no caso, já me acostumei mais uma vez. Já me acostumei a tomar café da manhã correndo, deitar cedo e dormir pesado e a pensar, sem tempo suficiente pra pesquisar a fundo, se algum dos eleitoráveis tem proposto soluções para o transporte urbano.

Enquanto isso, parece que minha cidade vai mesmo ganhar um aeroporto.

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Estação da Luz, 6h30m
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Bairro, Caieiras. 20h45m
Processed with VSCOcam with b5 preset
Centro de Franco da Rocha, 16h30m

Fotos feitas com um LG L5 e processadas com VSCO CAM.

♫ The Passenger – Iggy Pop

vão à luta

vermelho-maspsó nessa segunda-feira notei que aquilo de mais vermelho no masp não são seus pilares, mas o vão. o vão, minha gente, é vermelho-sangue-do-povo.
foto copiada do meu instagram, porque a vida corre.
continuo gostando do vermelho lina bo bardi, achando que depois de 21 anos de cidade as manifestações ali perderam o apelo e também defendendo que se manifeste no vão.

masp/av. paulista, são paulo.

ensaio

2013-02-26 09.19

a sociedade nos impõe o hábito de pensar antes de falar, talvez seja a única concessão que ela faz à tomarmos tempo para algo. se falarmos sem pensarmos, enfrentamos a nossa própria burocracia moral para tentar reeditar o dito. é assim que se passam dias, semanas, meses até que o seu ensaio se torna monólogo, a peça principal nunca é estreada e até mesmo o novo script é para poucos convidados, entre os quais o mais especial deles não é avisado que a estréia será uma hora mais cedo, chega no meio, sem entender nada. um fiasco, mancha no currículo de atriz, fantasma em cada noite de clareza.

foto tirada em um dia de verão, caieiras.